Segmento afirma que já está sentindo impacto da oscilação do barril de petróleo, que ultrapassou US$ 100 nesta segunda (9)

Com o barril de petróleo ultrapassando a marca de US$ 100, a Refina Brasil afirma ser “muito difícil” segurar os preços dos produtos derivados da commodity e evitar o repasse sem sacrificar o caixa. Ao CNN Money, a associação que representa as refinarias privadas ressaltou que de 25% a 30% de todo o petróleo refinado por suas associadas é importado.
Também agrava o quadro das refinarias privadas o fato da maior parcela do petróleo importado ser oriundo dos Estados Unidos e Arábia Saudita, que estão no epicentro do conflito. De acordo com a Refina Brasil, as refinarias privadas representam 20% do abastecimento de refino nacional.
“Se eu estou exposto a um custo dolarizado, é muito difícil segurar o ajuste de preço que o mercado internacional me impõe. A consequência no final do dia acaba sendo o aumento do preço dos combustíveis”, disse Matheus ao CNN Money.
O país do Oriente Médio suspendeu a produção em sua refinaria de Ras Tanura e começou a redirecionar o carregamento de petróleo bruto dos portos do leste para Yanbu, no Mar Vermelho, após o local ser alvo de ataques.
“Apesar dos EUA serem um exportador relevante, em um cenário em que eles estão imersos em um conflito militarizado internacionalmente, evidentemente a preferência daqueles produtos deixa de ser o mercado brasileiro”, disse o diretor de Novos Negócios da Refina Brasil, Matheus Soares, ao CNN Money.
O executivo da Refina Brasil afirma que o preço do petróleo representa cerca de 80% do custo final dos derivados produzidos pelas refinarias privadas. Por essa razão, Matheus Soares diz que qualquer oscilação neste elemento de custo, representa um ajuste de preço no produto final.
Além da queda na produção do Oriente Médio e do fechamento do estreito de Ormuz, também pesa para a volatilidade dos preços o custo do frete e do seguro dos navios.
“No elo de refino, a gente começa já ter impacto nos preços porque as cotações que eu estou recebendo para aquisição do petróleo importado já estão com o elemento guerra precificado”, disse.
Postos de combustíveis
A Petrobras sinalizou que vai evitar o repasse da volatilidade de preços do mercado internacional ao consumidor brasileiro. A estatal informou que não há, no momento, risco de interrupção nas importações ou exportações de petróleo.
Ao segurar os preços, a defasagem interna nos preços do óleo diesel e da gasolina aumenta. Cálculos divulgados pela Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis) nesta segunda-feira (9) apontam uma defasagem média de R$ 2,74 por litro de óleo diesel e de R$ 1,22 por litro de gasolina A nos principais polos da Petrobras em relação aos preços internacionais.
Já a Ipiranga afirmou que acompanha continuamente as condições de mercado e pode realizar ajustes comerciais. Em nota, a empresa destacou que o preço final nos postos é definido pelos revendedores.
“O custo do setor de combustíveis é influenciado por diversos fatores. No caso do diesel, por exemplo, uma dessas influências é que cerca de 30% do volume consumido no país é importado”, diz a Ipiranga.




