12 de mar de 2026

Assembleia Legislativa de Mato Grosso avalia projeto de parcerias para gestão de presídios com organizações não lucrativas

Da redação

Os deputados estaduais de Mato Grosso iniciaram, na quarta-feira (27), a análise do projeto de lei 1836/2024, que propõe a possibilidade de parcerias entre o governo estadual e entidades civis de direito privado sem fins lucrativos, além das Associações de Proteção e Assistência aos Condenados (Apacs), para a administração dos presídios do estado.

A proposta, que é de autoria do Poder Executivo, autoriza a celebração de convênios com essas organizações para gerenciar unidades prisionais destinadas ao cumprimento de penas privativas de liberdade. O projeto visa, entre outras coisas, ampliar a responsabilidade de organizações do terceiro setor no gerenciamento de presídios, com foco na recuperação dos apenados e sua reintegração à sociedade.

De acordo com o texto, as entidades selecionadas deverão assumir responsabilidades como o gerenciamento dos regimes de cumprimento de pena, controle de vigilância e conservação das instalações prisionais. Além disso, terão a obrigação de enviar relatórios mensais às autoridades competentes, detalhando o movimento de presos nas unidades.

Um ponto crucial do projeto é que apenas entidades sem fins lucrativos poderão firmar convênios, com prioridade para aquelas que utilizam trabalho voluntário na execução das penas. O trabalho remunerado será restrito a funções administrativas, caso necessário. As entidades deverão seguir a metodologia das Apacs, uma abordagem focada na recuperação dos condenados e na sua reintegração à comunidade.

O governo estadual também terá um papel ativo na fiscalização e supervisão dessas parcerias. O artigo 2º do projeto especifica que o Poder Executivo será responsável por monitorar a administração das Apacs, garantindo o cumprimento das condições mínimas de funcionamento, como fornecimento de alimentos, medicamentos e transporte adequado para os presos.

Além disso, as entidades devem assegurar a inserção dos apenados em programas de escolarização e reintegração ao mercado de trabalho, fundamentais para a ressocialização. O projeto ainda prevê que as organizações poderão receber doações, tanto de fontes públicas quanto privadas, para auxiliar nas suas operações. O descumprimento das obrigações por parte das entidades pode resultar no cancelamento imediato do convênio e em sanções legais.

O governo também terá a responsabilidade de repassar recursos financeiros e prover infraestrutura, como reformas e ampliação das unidades prisionais, além da aquisição de mobiliário. No entanto, o projeto limita a admissão de presos de outras comarcas, exigindo autorização judicial e consulta ao Ministério Público.

O projeto ainda está em tramitação na Assembleia Legislativa e não há um prazo definido para que seja colocado em primeira votação. A proposta gerou discussões entre os deputados, que devem continuar analisando os detalhes da medida nos próximos dias.

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